sábado, 23 de agosto de 2008

Dicionário


Que seria de mim sem alguém que me dissesse na cara os erros que cometo? Custa admitir a necessidade de alguém ter a sensatez de não dizer nas costas coisas importantes e que se deviam dizer na altura a quem as cometeu.
Ora bem tu foste dos poucos que teve a coragem de me dizer que errei mas que não fazia mal pois há sempre uma solução, ensinaste-me que se escreve 'desprezível' e não 'disprizível', ensinaste-me a usar correctamente os artículos e os verbos consoante os subjectivos usados, que não era 'era dois pães de leite' mas sim 'eram dois pães de leite'. Mas também consegues ser frio e magoas-me por vezes ao dizer que a palavra 'tapa' não existe, que é sim 'tampa'. Enfim, custa, mas se não fosses tu Diogo continuava na ignorância dos meus próprios erros.
Obrigado por estares sempre aqui.

Carolina

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Queria uma amora

A emoção à flor da pele, o cheiro de um cigarro, a sensação das pedras na planta dos pés descalsos, o cabelo solto, o vento de braços abertos, a vida.
Um sair de metro, um comboio que se afasta, um sonho perdido, sufocado, estrangulado que deixei na linha férrea.
Um mendigo a dormir, uma folha que paira sobre a multidão como que a observar a desgraça em que nos tornámos.
Depois o sorriso, o abraço apertado e um 'não quero perder-te', o frio de um corpo desprotegido e o aconchego de um cobertor.
A forma termida da tua imagem, a pouca nitidez que representas, voaste como que agarrado a um balão enchido a hélio, partiste até o inatingível.

Carolina

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Music.

Cheguei a casa exausta, entre metros e comboios, mais as centenas de passos da estação até casa, mais a mala mais a consciência e o espírito pesado.
O meu quarto parecia cada vez mais longe, parecia que andava um passo para a frente e dois para trás, só queria chegar ao meu destino e perder-me por momentos.
Objectivo alcançado. Mas... algo me impedia de estar. Faltavas tu, por isso levantei-me, fui buscar-te e comecei a sentir a tua presença. Porque me levantas a cabeça, refrescas as ideas, ajudas a decidir e a optar pelo errado.

Carolina

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Waaaaaaall.eeeeeeeeeeee

Sabem aquela sensação de derreter? De ficar melhor do que o que estavam?
Entrei na sala número 5, na expectativa, não sabia ao certo o que esperar de um filme que envolve um robot que recolhe lixo. Convidaram-me. Aceitei.
Posso dizer que foi um dos filmes mais queridos que já vi, senti-me num mundo paralelo durante uma 1 hora e quarenta minutos.
Durante a primeira parte do filme doía-me a barriga de tanto rir, e há muito que isso não acontecia numa sala de cinema. E depois, o intervalo, que me trouxe de novo à realidade, que me expulsou da nave e me trouxe de novo à Terra.
Não me sentia assim desde que vi o Edward Scissorhands, onde a vontade de trazer o Edward para casa e ensiná-lo a viver se apoderou de mim, desta vez quero um Wall.e.



Carolina

Destino?

O que não é planeado sabe sempre melhor. Digam o que disserem.
Hoje foi a prova disso, saudades de te ter perto de mim, de respirarmos o mesmo ar, vermos as mesmas coisas e partilhar o mesmo metro quadrado.
Um acto banal, um simples virar de costas, e estavas lá tu, como que à minha espera, estava destinado. De repente tudo se moveu em slow motion e como por instinto abracei-te, e não queria largar, não queria, abdicava das palavras só para estar contigo naquele momento.
Já não me lembrava do que era estar contigo mas soube-me a pouco, a nada. Queria mais.

Minha outra metade.

Carolina

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Fada do lar

Ora bem:

12.00h - sair do carro, tocar à campainha, 1º Direito, porta aberta, pegar nas malas, subir escadas, beijos e abraços, descer escadas, pegar nas restantes malas, beijo de despedida, subir escadas, bater com a porta.

13.00h - arrumar as malas, conversa de situação, copo de água, cortar tarte em oito, pôr uma fatia em cada prato, por na mesa, levar talheres, copos e guardanapos,lavar tomates, cortar tomates às rodelas, ralar cenoura (legume que pessoalmente não gosto), cortar cebola (legume que pessoalmente odeio), temperar salada.

14.00h - levantar a mesa, lavar loiça.

15.00h - farmácia, senha 097, 'Boa tarde, era uma caixa de Ben-u-ron, uma caixa pequena de aspirinas e Fenistil se faz favor', compras no minipreço, padaria 'Boa tarde eram dois pães de leite e três baguetes integrais se faz favor'

15.30h - casa, 'Esqueceste-te do chá', minipreço

15.45h - casa, sintonizar televisão, secar loiça, arrumar loiça

16.00h - sofá, zapping entre 4 canais, optar entre Tardes da Júlia, Contacto, Portugal em Directo, ok optar por Jogos Olímpicos.

17.00h - fazer lanche, faca, pão, leite, queijo, fiambre, cereais e sumo, levar para a mesa, chamar para a mesa, optar por cereais

17.40h - lavar loiça, secar loiça, arrumar loiça, limpar bancada da cozinha

18.30h - temperar bifes

19.00h - sofá, televisão

20.00h - grelhar bifes, cozer massa, fazer salada, pôr água no jarro, pôr a mesa

20.40h - chamar para jantar, jantar

22.00h - levantar a mesa, lavar loiça, secar loiça, arrumar loiça, limpar bancada da cozinha

22.30h - sofá, televisão, desta vez não há opção possível, telenovelas até adormecerem e me deixarem apoderar do comando

00.45h - abrir sofá, buscar lençóis, fazer a 'cama'

01.00h - pc, dvd

02.45h - pijama, lavar dentes, cama

10.00h - dormir, olhos fechados, ouvir: 'carolina, estás a dormir?' (aquela pergunta deveras inteligente quando se vê alguém numa 'cama' de olhos fechados)

10.10h - banho, vestir, sair, café

12.00h - preparar almoço


Sim, adoro os meus avós.


Carolina

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Já não sou

Quem te apurou?
Como os anos passam por nós
É ver o tempo deixar-nos sós
E esperamos que justifiquem ou que nasça pelo menos alguma razão ao motivo pelo qual vai cedendo o corpo então aos anos.

Sinto mais do que preciso
Perco a voz ganho juízo
E quem fui eu não sou mais
Mudam gostos perco peso
Perco medos e cabelo
E quem fui eu não sou mais

Algo melhorou, ficámos sábios… pelo menos aos olhos dos outros.
Ser responsável compete a poucos, a bem poucos....
Não dependemos, daqui para a frente, de ninguém, quer dizer… o sexo agora implica quase sempre alguém, e ainda bem.

Sinto mais do que preciso
Perco voz ganho juízo
E quem fui eu não sou mais
Mudam gostos perco peso
Perco medos e cabelo
E quem fui eu não sou mais

Não choro as partes que estão para trás.
Não concluo, o meu tempo não é uma canção, que tem quase sempre rima certa, métrica e refrão
E esta acabou.

Klepht

Carolina

domingo, 3 de agosto de 2008

Cresce e aparece

Os homens precisam de algo para lhes ocupar a mente insuficiente que têm, precisam simplesmente de algo que os mantenha ocupados. Não conseguem aproveitar o que os rodeia da forma mais simples possível, não.
Não conseguem por a tampa numa garrafa, não conseguem por o pé no travão do carro, não conseguem manter a carteira no bolso ou o cigarro no maço, precisam de mais, sempre mais, e não digo que é errado, é tão mas tão cansativo.
Parece que quando algo corre menos bem algo se desloca dentro deles, tornam-se corpinhos sem alma, desprezíveis e até dignos de pena das atitudes mediúcres que tomam.
São mais dependentes daquilo que parecem e o contraste com o armarem-se em fortes nem sempre resulta, tentam arranjar argumentos para gerar confusões, distorcem situações para as tornarem como querem que lhes dê jeito (em troca de atenção)... ridículo.
Melhor que pedir um homem que admita os erros antes de ser confrontado com eles é pedir um homem que saiba pedir desculpa nas alturas certas e quando verdadeiramente tem vontade de dar o braço a torcer.

Carolina

terça-feira, 29 de julho de 2008

14.11.2001 - 29.07.2008


A leishmaniose canina é uma doença grave e frequente, embora pouco conhecida pelos donos dos cães.
A transmissão da doença é feita através da picada de um insecto, tipo mosquito, que pode ser fatal para os cães. Considera-se que todo o território português tem a presença destes insectos mas as zonas com maior risco de contaminação são Lisboa, Setúbal, Trás-os-Montes e Alto Douro, a Beira Interior, grande parte do Alto e Baixo Alentejo e o Algarve.
Nalgumas regiões a leishmaniose aumentou mais de 100%, no período de menos de 10 anos, e outras regiões, onde anteriormente o risco de infecção era reduzido, passaram a apresentar um risco significativamente maior.
A leishmaniose não tem cura definitiva e existem vários tipos de manifestações. A altura do ano mais preocupante é durante a Primavera e os sintomas demoram em média três meses a revelelarem-se. É importante uma visita regular ao veterinário, quanto mais depressa for diagnosticada mais fácil é a recuperação.



A leishmaniose levou a minha cadela, Maggie, os sintomas começaram na segunda semana de Julho, fraqueza, gengivas brancas devido à falta de circulação sanguínea e olhos dilatados (para além destes há muitos outros sintomas variando com o tipo de leishmaniose), levámo-la ao veterinário e não voltamos com ela, ficou lá até hoje, onde a decisão de a abater foi inevitável.

Seis anos,oito meses e quinze dias. Tudo se resume a isto.
Foste presente de anos, dos meus dez anos, lembro-me como se fosse ontem. Cheguei a casa e vieste tu com os teus três meses e três quilos, acompanhada de baba e de um laço enorme vermelho à volta do pescoço. Ficam comigo as melhores memórias e o reconforto de saber que estás melhor agora do que antes estavas.

Carolina

terça-feira, 22 de julho de 2008

Quatro patas

Tenho medo de não te voltar a ver a correr atrás do próprio rabo.
Tenho medo de não voltar a acordar com o teu ladrar.
Tenho medo de não te ver saltar o portão atrás dos gatos.
Tenho medo que não me faltes para cima nunca mais.
Tenho medo que não me sujes a roupa só pela felicidade de me veres.
Tenho medo de não te voltar a dar banhos de mangueira.
Tenho medo de não voltar a encher a tua taça.
Tenho medo de não me voltares a acompanhar quando vou ao lixo.
Tenho medo de não voltar a sorrir quando andas atrás das moscas.
Tenho medo...

Na esperança que fiques melhor.
Da dona.

Carolina

segunda-feira, 21 de julho de 2008

.

Tenho ciúmes. Tenho inveja.


Carolina

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Chão



Acordo, levanto-me, pés no chão
Banho, dispo-me, roupa no chão
Saio do banho, seco-me, toalha no chão
Pequeno-almoço, abro pacote do leite, leite no chão
Escola, corredor, mochila no chão
Almoço, Pingo Doce, almoço no chão
Momento, rir e rir mais, rir tanto que... no chão
Desenho, inspiração, no chão
Fuga, procura de oxigénio longínqua, raiva, no chão
Casa, quarto, mochila no chão
Férias, descanso, logo no chão
Aquelas conversas, algo de necessário, logo no chão
Desespero, humilhação, beira de um ataque de nervos, no chão
Felicidade, orgulho, explosão de emoções, no chão
Momentos de espera, impaciência, no chão
Cansaço, exaustão, no chão

Chão, o único espaço em que realmente as coisas pertencem onde devem.
Chão, o único espaço em que realmente sou 100% fiel a como me sinto.

Carolina

terça-feira, 15 de julho de 2008

Metade



És as pegadas inexistentes na areia.
És a toalha vazia ao meu lado na praia.
És o lugar desocupado na mesa.
És a cama por abrir num quarto.
És os sapatos arrumados numa parteleira.
És a sombra quieta de uma flor.
És interruptor desligado.
És tomada fora da ficha, sem energia.
És presença ausente.
És corpo frio.
És a falta.
És saudade.
És o som nenhum de passos no soalho.
És fernezim silencioso de uma campainha.


Mas és muito.

Saudade da tua presença perto de mim. Faltam 26 dias para voltares.
Foda-se.

Carolina

Água



Quando o vento sopra e não há nada a acrescentar a não ser o sal na pele e a areia no cabelo.
Quando o mar avança e te toca nos tornozelos fanzendo recuar o corpo.
Quando a onda se aproxima e há uma decisão a tomar, pois há que passar por ela, decisão entre o mergulhar sentindo a derrota, ou indo por cima dela ficando somente a sensação de suspensão.
Quando voltamos ao nosso porto de abrigo, retiramos o que resta deste dia, vai tudo com a água novamente, fica somente a memória que vencemos, ou não.

Carolina

domingo, 13 de julho de 2008

E se..

Sentimos MEDO de falar, de não dizer as coisas certas na altura adequada, de sermos mal vistos. Sentimos MEDO por pensarmos que outros nos achem pouco dignos ou completamente inapropriados. Sentimos MEDO de agir, de fazer o que queremos por pensar que não é assim tão certo, que não tem lógica, que não faz sentido e que vai acabar em nada senão numa perda de tempo. Sentimos MEDO de expressar a nossa opinião, o nosso ponto de vista, só por pensarmos que os outros não vão concordar, porque vão pensar que não batemos bem. Sentimos MEDO de fazer aquilo que mais amamos, enquanto que o deveriamos expôr, gritar ao mundo com todas as nossas forças, escondêmo-lo, fechamonos num mundo só nosso, por pensarmos que não vai ser bem aceite.

Quantas vezes pensamos se morresse amanhã faria isto, se tivesse só mais um mês de vida faria tudo de forma diferente, ora bem, esse momento não é amanhã nem daqui a um mês. Cada vez me apercebo mais que essa vida parela a vida onde faríamos tudo sem pensar 'e se..' é esta mesmo, neste momento.

Frases como viver até à última, viver como se morresse amanhã tornaram-se tão banais, quero pelo menos que sejam ditas de forma credível, sentidas e postas em práctica, não ditas da boca para fora.

Carolina

Fez-se luz

Esta semana deu para perceber muitas coisas, aprendi que o sol nasce todas as manhãs e se põe todas as noites, que a lua reflete a luz no mar, que o cheiro a relva acabada de cortar me faz doer a cabeça, que o cloro da piscina me põe os olhos vermelhos, que lima é muito melhor que limão, que o gelo tira o gás da coca cola, que os alemães so sabem dizer 'merci'.

Descobri a utilidade dos bancos a caminho da praia.

Sinto-me retardada mental por publicar este texto. Mas também nao quero saber.

Carolina

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Soon you'll understand

I will never love you more than Tim Burton's movies.
I will never love you more than nights with my best friend when we talk about stupid things like feelings and men.
I will never love you more than my boyfriend when I was 14.
I will never love you more than have meeting Salvador Dalí, for me he is more than god.
I will never love you more than laughing out laud in public.
I will never love you more than singing in the shower.
I will never love you more than kisses all day.
I will never love you more than cuddles all night.
I will never love you more than long days shopping.
I will never love you more than singing in the subway pretending nobody can´t listen.
I will never love you more than swimming far away from coast.
I will never love you more than smoking and drinking with my m.a.
I will never love you more than music.
I will never love you more than roller coasters.
I will never love you more than watermelons in the summer.
I will never love you more than cockies with milk in the middle of the night.
I will never love you more than ice cream in the winter.
I will never love you more than my mother's hug.
I will never love you more than travelling with no destination.
I will never love you more than New York city.
I will never love you more than my camera.
I will never love you more than not having an umbrella when it's fucking raining.
I will never love you more than sunrise&sunset.
I will never love you more than art.


You say you love me more than all the girls you've had before, even more than music, even more than yourself, even more than everything, but it's just a lie, so I will never love you more than anything.

Carolina

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Até agora



















Não há nada como sair do nosso meio ambiente para perceber que ele não é o único que nos acolhe.
Não há nada como sair do que chamamos limite.
Não há nada como conhecer o limite das outras culturas, dos outros mundos dessas outras gentes.
Não há nada como poder dizer o que bem nos apetece sem nos preocuparmos porque ninguém vai perceber o nosso dialecto.
Não há nada como viajar, perto ou longe, só ou acompanhado. Simplesmente sair.
Vale mais que ler 27 enciclopédias.
Não há outra coisa que mais me preencha. Até agora.

Carolina