sábado, 30 de maio de 2009

Memórias .

Vou acordar dentro de 5 segundos.
Ora aqui está. Bom dia.
Os bancos da cozinha parecem verde lima, nunca tive uns desta cor. Estranhei. Franzi as inexistentes sobrancelhas.
E não lhes prestei maior atenção.
O leite estava frio. Enchi um copo e levei-o para fora de casa. O tempo assim o permitia.
Eram sete da tarde, a minha hora preferida do Verão que já chegara.
Sim, estava ali, no meio da rua, a sentir o frio do leite na ponta dos dedos, e o cheiro que emanava da vedação florida da minha vizinha do lado, que o vento fazia tanto gosto em trazer.

Fechei os olhos. Tudo parecia perfeito demais... Parecia errado.
Deixei escorregar por entre os dedos o copo. Propositadamente.
Havia aquela necessidade constante de fuga psicológica. Não aguentaria por muito mais tempo a perfeição daquele momento.
Ouvi os estilhaços quebrarem-se em inúmeras partículas. E as gotas a salpicarem-me as pernas nuas.

Nem aí reagi.
Não consegui largar a mão do que me prendia àquele espaço de tempo preciso.

O leite escorria pela rua. O vento batia contra as folhas. Os estilhaços saltavam pelo solo.
E eu?
Eu? Eu cheguei à conclusão que não tenho poder para fazer o meu próprio coração bater.

C.

2 comentários:

Mariana Sampaio disse...

simplesmente perfeito, está lindo!!
love you laina@

Joana Afonso. Susana Reis. disse...

Eu? Eu cheguei à conclusão que não tenho poder para fazer o meu próprio coração bater.

É que é tão isso. O melhor by far .

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